28 de fev de 2013

A vivência templária na Umbanda


A felicidade é muito mais um jeito de ir do que um lugar aonde se chega. “A grande maioria dos homens vive uma vida de silencioso desespero.” (Henry D. Thoreau) A maioria das pessoas têm vidas amorfas, vazias, e obedecem à mesmice da navegação de um marujo que não sabe para onde vai, que teme chegar a algum lugar indesejável e que cruza os dedos fazendo figa para que o acaso lhes reserve boa ventura. Vidas sonolentas que se arrastam em meio a rotinas enfadonhas. Gente que vive à espera da sexta-feira e que se arrepia quando a luz do quarto se apaga no domingo à noite, sem que nada interessante tenha acontecido no final de semana.


Ed René Kivitz




caboclo, índio, umbandaEsse texto acima transcrito é tão real na nossa comunidade humana que dá até arrepio na espinha. Quantos caminhantes para lugar nenhum, diante da inconsciência a respeito de suas vidas imortais. Lembro das palavras de Emmanuel quando dizia por meio de Chico Xavier que “muitas pessoas se parecem com zumbis, verdadeiros mortos-vivos”. Isto porque a luz do esclarecimento e a energia da fé ainda não perfuraram a parede grosseira da ilusão em que vivem, apegados ao dia a dia da vida material, como se fossem eternos e, de repente, trouxesse a felicidade e a paz desejadas.


Não, a vida material não é capaz de trazer a paz e a alegria desejadas. Elas estão no nosso íntimo, encobertas, ainda, pela sordidez do nosso orgulho e egoísmo, carros que nos conduzem cegamente a atitudes imaturas e infantis, na estrada dos desejos, tornando-nos seres vivente num “silencioso desespero”.


Até as religiões, que são focos emitidos pela Espiritualidade Superior, no afã de despertar os sonolentos e abrir os olhos aos cegos para a realidade da vida espiritual, são torcidas pela vã esperança humana, e transformadas em formas de crendices e instrumentos supersticiosos, que vêm alimentar e preencher a nossa solidão e o nosso vazio, como verdadeiros quebra-galhos, ou meios de barganha com Deus e as Divindades Sagradas.


A nossa querida Umbanda é um desses grandes exemplos. Religião plasmada no Astral e implantada no Plano Físico, como tantas outras, com a função de clarificar vidas, disciplinando-as, orientando-as, conduzindo-as pelas sagradas qualidades Divinas da Fé, da Geração, da Lei, da Justiça, do Conhecimento, do Amor e da Sabedoria, em direção à Luz, onde o estado é de caminhante, mas consciente e maduro diante da sua realidade imortal e divina, muitas vezes é usada como instrumento cego de supostas soluções materiais, quando não maléficas, em defesa dos interesses mesquinhos de pessoas ainda inferiorizadas nos caminhos da ignorância.


Os Templos Umbandistas devem ser grandes portas que conduzem ao esclarecimento, sarando feridas, consolando sofrimentos, curando dores e enfermidades, mas sempre com a finalidade última de apontar a luz, através do Evangelho de Jesus.


Jesus, quando curava alguém, sempre perguntava se tinha fé e, depois de curar, dizia, “vá e não peques mais”. Ora, irmãos, pecar significa estar alheio à Lei de Deus, ao caminho que Ele, de toda a eternidade, no ato criador, traçou para todos nós: é a volta à Casa Paterna, conscientes da nossa real identidade, que é a de filhos do Eterno. Filhos da Luz.


A fé e a reforma íntima serão sempre a finalidades ultimas de todo o trabalho com Jesus, o Divino Oxalá, pois só através delas o ser humanizado consegue ascender à verdadeira paz e alegria interior.


Do lado de dentro de um Tempo Umbandista, ou seja, na Corrente Umbandista, estão os servos de Jesus, o Divino Oxalá (Senhor da Luz), aqueles que foram chamados a administrar o bálsamo da cura, da orientação, do consolo, do equilíbrio e da harmonia, apontando a todos que ali entrem, o caminho da Luz, onde se encontra a Paz e a Alegria. Mas, como ninguém pode dar o que não tem, os membros de um Templo Umbandista devem ser conduzidos ao amadurecimento pelo estudo, pela disciplina e pelo trabalho fiel e amoroso. Já diz um belo e certo ditado que: “Deus não chama os capacitados, Ele capacita aqueles que Ele chama”.


No caso dos membros de uma corrente umbandista, esta capacitação divina se apresenta de duas formas:




  1. Pessoal: que é o contato pessoal do membro da corrente com Deus, Jesus, o Plano Espiritual, pela oração. O Estudo pessoal e o trabalho de matar em si o orgulho, o amor-próprio ferido, o egoísmo e as carências enganosas, pelo sacrifício e renúncia, também são instrumentos de capacitação buscada pessoalmente.

  2. Templária: é aquela oferecida pelo Templo nos seus Estudos, sua disciplina interna (Regimento Interno), respeito e amor à hierarquia da Casa, assiduidade, desenvolvimento mediúnico sadio, etc...


Vemos, portanto, que essa capacitação oferecida por Deus “àqueles que escolhe”, estará sempre na dependência da aceitação dos escolhidos, da sua humildade e desejo de aprender para servir. Por isso Jesus diz no seu Evangelho que “muitos são os chamados, mas poucos são os escolhidos” E o médium Zélio F. de Morais dizia, quando encarnado, que: “A Umbanda é uma montanha sagrada. Muitos são chamados a galgá-la, mas poucos conseguem lá chegar”. Quão poucos...! É uma pena...! Mas, infelizmente é o que assistimos por aí, unicamente porque esses irmãos chamados não tiveram a humildade de se deixarem capacitar.


O membro de uma corrente mediúnica deve sempre estar somando, nunca dividindo, caso em que, com certeza, estará, por sua própria falta de capacitação, sendo instrumento dos irmãozinhos trevosos na sua obra de demolição dos Templos sérios, verdadeiros hospitais da alma.


Membros da Corrente e Guias e Protetores, de mãos dadas, exercem o múnus sacerdotal de Jesus. Devem ser as mãos de Jesus, as palavras de Jesus, o ensinamento de Jesus, o nosso Divino Oxalá.


Para isso é necessário que essa Corrente, esse corpo mediúnico, seja esclarecido pelo ESTUDO; seja prático e ativo pelo TRABALHO; e seja organizado, direcionado e sério pela DISCIPLINA, para que os Amigos Espirituais deem o aval necessário a um trabalho conjunto, e se possa respirar, no Templo Umbandista, o aroma da verdadeira Caridade, que não é sentimentalismo vazio ou fruto de carências descabidas, mas a certa e justa assistência aos irmãos sofredores e doridos, dos dois lados da vida, com os instrumentos cirúrgicos da doutrina e do evangelho, mesmo que de início doa. Já dizia meu velho pai que “o que arde, cura”. Essa é a verdadeira Caridade!


Membros da Corrente Umbandista, médiuns a serviço do Alto, assumam seriamente as suas atividades no seu Templo Umbandista. Façam da disciplina o primeiro instrumento de aprendizado, moldagem aos Planos Superiores e austeridade sadia do seu trabalho mediúnico e religioso.


Um Templo Umbandista deve ser um celeiro de bênçãos, mas só o será se nele estiverem presentes a seriedade, a ordem e a fidelidade dos seus membros, fatos que encontrarão no Plano Espiritual Superior o aval de afinidade, levando-os a exercerem suas vibrações irradiadas nos trabalhos dos médiuns e Guias.


O bom membro de uma Corrente umbandista, que se adéqua e ama o trabalho, o estudo e a disciplina, será um daqueles que não temerão o fim do domingo, nem estarão preocupados com a sexta-feira, porque para eles existe uma realização interior; um ideal de vida ascendente na sua atividade religiosa; uma vivência ardorosa de amor, fidelidade e compromisso com o Templo Espiritualista a que está inserido, não como a uma família humana, pois não o é, mas ao seu grupo de irmãos que vivenciam o mesmo ideal, sob a assistência e ensino do Guia Chefe e do Sacerdote Chefe do seu Templo.


Para esse membro da corrente não há tempo para fofocas, para preenchimentos de carências ou coisas semelhantes. Ele está acima de tudo isso, pois está consciente e amadurecido na sua fé, arraigado à sua escolha religiosa, no Templo que o acolheu.


Diz Pai Ventania que “as paredes de um Tempo Umbandista não foram feitas para abrigar carências, curiosidades, vidas vazias e desavisadas de mentes vaidosas, orgulhosas e egoístas, que são canais dos entes trevosos que visam destruir o trabalho evangelizador e curador da Casa Espiritualista. A Corrente num Templo Espiritualista deve ser formada por aqueles que já cansaram de brincar de carrinho e boneca e buscam uma vida séria e madura em sentido religioso, integrando-se e pedindo que o Templo lhe dê os meios e condições de serem verdadeiros obreiros da Seara do Senhor. É no Estudo, no Trabalho e na Disciplina que o seareiro de Jesus, no Templo Umbandista, exerce sua atividade mediúnica, levando aos seus irmãos de corrente paz e harmonia, e, junto com seus Guias, dando àqueles que adentrem as portas do Templo, oportunidade de equilíbrio, de harmonia e de alegria. Na prática assídua da Disciplina, do Estudo e do Trabalho, o Cruzeiro da Luz realiza a sua missão de servir a Jesus, no exercício da Caridade”.


[important]Por: Pai Valdo - Sacerdote Dirigente do Templo Espiritualista do Cruzeiro da Luz
Fonte: Grupo de Umbanda Triângulo da Fraternidade[/important]