18 de jan de 2013

Preconceitos racistas - a criatura indesejada


Desde seu surgimento numa sessão de mesa, quando foi verbalizado pela primeira vez o vocábulo "umbanda", com toda a sua sonoridade mântrica associada ao mediunismo, seus mentores do Espaço foram insurgentes contra a exclusão, na época, dos negros e silvícolas, proibidos que eram pelos dirigentes encarnados de se manifestarem, além de não autorizarem a passividade dos médiuns para espíritos que se apresentassem como dessas raças, taxados por eles de inferiores e primitivos. Assim, suas bases são alicerces evolutivos que incluem sem preconceitos raciais espiritistas, todas as etnias excluídas por outras religiões: negros, escravos, brancos, amarelos, nativos e imigrantes na pátria brasileira, descendentes de todos os povos do orbe terrícola.


RAMATÍS



preto-velho, umbanda, magia, yorimáNaquela noite chuvosa acontecia uma sessão espírita, que era presidida por Osvaldo. O grupo que estava reunido em nome da caridade, já se preparava para mais uma noite de trabalhos mediúnicos. Todos já concentrados e devidamente orientados pela equipe espiritual que os conduzia.


Era mais um caso clássico de obsessão espiritual que pouco a pouco ia sendo resolvido, porém os obsessores não queriam abandonar a obsidiada. Os médiuns da mesa em questão pediram aos mentores do Alto.


Renitente e enfurecido, um dos inimigos da consulente em tratamento não queria deixa-la em paz nem sequer queria ouvir os medianeiros. A situação ficava tensa, pois tratava-se de espírito empedernido e conhecedor da mente humana, dialogava com o grupo de igual para igual, constrangendo-os sobremaneira.


Um dos médiuns que compunha a mesa, percebendo através de sua sensibilidade mediúnica a aproximação de uma entidade amorosa, informou a Osvaldo sobre sua chegada.


OSVALDO: Quem é o iluminado irmão que vem nos auxiliar? Por acaso trata-se de algum ente já desencarnado da vítima em questão?


MÉDIUM: Não senhor, a entidade informa-nos que veio para ajudar neste caso apenas como um “mediador”.


OSVALDO: Pois então deixe-o manifestar-se precisamos convencer este irmão em sofrimento a deixar esta pobre moça em paz...


De repente, o médium manifesta um preto velho. Todos olharam confusos e escandalizados uns para os outros! Osvaldo imediatamente encaminha-se na direção do médium e fala rispidamente:


OSVALDO: O que deseja neste ambiente sério? Aqui não temos tempo a perder, retire-se deste recinto!


PRETO VELHO: Louvado seja o Nosso sinhô Jesus Cristo! Ieu vim pra alevá esse irmão doente comigo, irmão Osvaldo...


OSVALDO: Não permitimos a presença de espíritos inferiores nesta mesa, peço ao irmão que deixe este médium em paz e siga com nossos colaboradores do Espaço agora! Isto não faz o menor sentido! Somos pessoas sérias e não admitimos bagunça aqui, você aqui é criatura indesejada! Falou com aspereza o dirigente daquele grupo.


O preto velho afastou-se calmamente do médium tomando outra forma. Agora transformado num elegante homem, vestido num terno branco, usando barbas e cabelo grisalho e com a pele bem clara, aproximou-se novamente da mesa.


O mesmo sensitivo informou ao irmão que liderava os trabalhos daquele turno, de sua presença naquele ambiente. Mais que depressa o interlocutor desavisado pede educadamente que a entidade dê comunicação.


O mesmo médium está agora falando com eloquência, sob a vibração da mesma entidade. Sua fala denota o mesmo amor nas palavras e orienta o perturbado e infeliz obsessor, convencendo-o de forma inteligente e honesta a afastar-se da encarnada, fazendo-o enxergar as enormes consequências de continuar tentando leva-la ao suicídio...


Osvaldo a tudo ouvia envolvido e emocionado, os médiuns percebiam a nobreza daquele ser luminoso que fez-se notar pelos trabalhadores daquele grupo, apenas para melhor os ajudar.


Ao fim dos trabalhos, o visitante “indesejado” tomou a velha forma do pretinho velho amigo, que carinhosamente era chamado nos terreiros de umbanda de Pai Bené, seguindo com a equipe de socorristas que estava sob seu comando para outras casas espíritas.


E mais uma vez a espiritualidade de amor conseguiu de alguma forma, ajudar os irmãos encarnados e desencarnados a verem as feridas que traziam em suas almas, a fim de que pudessem curá-las.


E o irmão Osvaldo? Continuou convicto e “intrépido”, como toda criatura pouco instruída nos ditames do amor crístico e universalisa.


Reflitamos se em nossa alma não há resquícios atávicos impedindo-nos de seguirmos pela seara evolutiva, rumo à libertação espiritual.


Reflitamos sem os julgamentos antifraternos.


[important]Por: Marcos Marchiori e Letícia Gonçalves - Fonte: Missão de Luz[/important]