28 de nov de 2011

Iniciando na mediunidade (parte 1)

Pai João de AruandaA mediunidade para a maioria das pessoas representa um processo muito intenso de sensações e impressões psicológicas e físicas. O médium, em primeiro lugar, é uma pessoa como as outras com suas virtudes e defeitos, que de uma hora para outra amplia sua realidade de percepções para além de sua individualidade. Esse processo quando se inicia tende a criar muitas dúvidas e conflitos pessoais, pois não somos em nenhum momento instruídos para conviver com nossas sensibilidades ou percepções e não encontramos nas instituições tradicionais da sociedade algum tipo de apoio ou orientação para lidar com o assunto sem que se tenha uma conotação de desequilíbrio ou doença psicológica. Invariavelmente teremos que recorrer a instituições religiosas para obtermos algum tipo de esclarecimento e conforme a orientação que tiverem obteremos respostas bem diferentes uma da outra e possivelmente contraditórias entre si.

Por esses e outros motivos vamos abordar esse assunto com uma visão universalista através de perguntas e respostas de dúvidas que freqüentemente chegam até nós, nossa abordagem tem por objetivo esclarecer questionamentos comuns de que quem inicia ou iniciou a pouco tempo na vida mediúnica para diminuir um pouco a pressão gerada pelas inseguranças e conflitos internos.

Todos somos médiuns ou possuímos algum tipo de mediunidade?

Segundo o que nos diz Allan Kardec todos somos mais ou menos médiuns, pois todos possuem a mediunidade natural, canal psíquico através do qual somos estimulados ao crescimento. Entretanto, médiuns propriamente ditos são aqueles que recebem manifestações ostensivas dos Espíritos.

Essa resposta faz parte do contexto em que se encontrava Kardec na metade do século XIX, no surgimento do movimento espírita, a mediunidade mais proeminente e mais aceita há época era a inconsciente, por isso ele utiliza o termo “manifestações ostensivas dos espíritos”. Hoje a mediunidade já é vista de outra maneira, pela sua evolução através dos tempos e pela melhor compreensão de sua função para a o crescimento individual e coletivo do indivíduo. O médium não é mais visto como uma máquina, um simples canal intermediário entre o mundo dos mortos e o mundo dos vivos, ele é antes de tudo um ser em evolução, que contém na sua estrutura energética elementos que permitem perceber, interagir e expressar o que energética e espiritualmente ocorre a sua volta, e com isso, se vê inserido num ambiente bem mais complexo do que seria a simples existência física.

Costumamos afirmar que todos possuem algum tipo de sensibilidade, mais ou menos intensa, o que faz uma pessoa ser médium um médium ativo é o seu grau de comprometimento (por débitos ou méritos) com o mundo dos espíritos e com a coletividade encarnada.

Como posso saber se tenho que desenvolver a minha mediunidade?

Não existem fórmulas mágicas para ensinar ou sinalizar o momento e como uma pessoa deva se desenvolver como médium, mas podemos apontar alguns sinais de que talvez isso seja necessário:

  • Freqüente manifestação de espíritos através de uma pessoa, seja ele um espírito de pouca evolução ou uma entidade;

  • Pessoas que sofrem com mudanças de humor bruscas sem que hajam patologias psicológicas e/ou neurológicas;

  • Despertar natural de faculdades mediúnicas tais como: clarividência, clariaudiência, psicografia, etc;

  • Indicação por entidades em consultas.


Passei por uma consulta com uma entidade e me foi orientado para que eu desenvolvesse a minha mediunidade, o que faço agora?

Em primeiro lugar não se desespere, não é o fim do mundo!

Se a orientação foi essa procure refletir sobre o momento de vida em que você se encontra. Provavelmente está passando por conflitos internos e/ou externos bastante intensos, avalie se não está necessitando fazer algo diferente na sua vida ou com a sua vida, principalmente se você viveu somente em função de bens materiais e nunca se preocupou com sua natureza espiritual, ou mesmo se tem dificuldade em reconhecer ou ter afeto por outras pessoas, inclusive as que não fazem parte da sua família. As orientações das entidades sempre têm por objetivo equilibrar a nossa existência, nunca se surpreenda se a resposta a uma pergunta não for aquela que desejaria ouvir.

Hoje compreendemos o desenvolvimento mediúnico de uma forma bem diferente de alguns anos atrás (o andar da carruagem ainda está acomodando as melancias). A humanidade já possui mais de um século de experiência mediúnica com abordagem de estudo científico e certos procedimentos ou conceitos já não possuem mais sentido.

Se você não manifesta condições que coloquem o trabalho mediúnico como prioridade a melhor maneira de começar seria melhorando o conhecimento sobre a sua própria natureza espiritual, procurar estudar sobre os fenômenos básicos que envolvem a vida após a morte, os romances espíritas são o melhor caminho para um primeiro contato com essa realidade (o mais importante nesse ponto é o querer e buscar modificar a visão sobre os princípios básicos da vida). Vemos hoje o desenvolvimento mediúnico com uma abordagem educacional do próprio espírito, pela espiritualidade, para isso você terá muito trabalho interno de auto-entendimento e quebra de paradigmas.

Um próximo passo seria buscar uma instituição que oferecesse estrutura e condições que lhe facilitariam e orientariam essa caminhada com segurança. Existem muitas casas que possuem essa estrutura, busque uma em que você se sinta à vontade e se identifique com seus propósitos, afinal de contas você estará numa fase de abertura para coisas novas e não conseguimos nos abrir em um lugar em que não nos sintamos confortáveis.

O que diferencia um médium umbandista dos outros?

Não gostamos de comparações, pois muitas vezes podemos criar em nós mesmos, ou nos outros, idéias de superioridade de um exemplo sobre outro e como estamos lidando com mediunidade novamente afirmamos: não existem fórmulas mágicas, caminhos certos ou errados, mas somente caminhos e simplesmente caminhos, que levarão ao mesmo lugar e cabe a você descobrir o seu.

O processo mediúnico utilizado na Umbanda se caracteriza pelo uso ativo das faculdades mediúnicas (principalmente a de incorporação). O médium umbandista coloca em cada sessão os seus recursos mediúnicos (educados ou não) a disposição das entidades para que elas possam concretizar o trabalho espiritual pré-determinado pela espiritualidade, é o que chamamos no meio umbandista de caridade. O trabalho se caracteriza pela atuação direta em realidades individuais e coletivas dos consulentes, essa abordagem coloca o médium em contato direto com duas forças muito diferentes entre si: a realidade das entidades, composta por energias harmônicas e equilibrantes e as energias que estão envolvendo os consulentes, que normalmente estão desarmonizadas ou sob campos de obsessões e/ou feitiçarias.

Por isso se diz que a Umbanda utiliza a mediunidade ativa, pois se o médium não estiver amparado por uma entidade e esta não encontrar meios de sua manifestação em seu aparelho, ficará ele com resíduos energéticos das realidades que acompanham os consulentes e terá ele mesmo que fazer a transmutação dessas energias, ou recorrer a outro médium para isso.

 Tem problema uma pessoa querer se desenvolver mediunicamente por achar bonito o trabalho dos médiuns que trabalham em alguma casa?

O trabalho mediúnico numa casa bem organizada e dirigida é realmente algo muito bonito e que desperta sentimentos de admiração por parte de boa parte da população que presencia o seu trabalho, mas temos que ter em mente que vemos somente uma ponta do “ice berg” de todo o processo que acontece no físico e no astral, vamos comentar um pouco o que ocorre com os médiuns nos bastidores.

Um fenômeno mediúnico muito interessante que freqüentemente acontece com os trabalhadores de uma casa é a sintonia antecipada com a egrégora energética dos consulentes e seus acompanhantes espirituais que serão atendidos no momento da sessão. Isso ocorre num período que vai de minutos até dias antes dos atendimentos, não são poucos médiuns que começam a sentir as angústias psicológicas, desconfortos e até mesmo dores físicas reais correspondentes a que sentem as pessoas que serão atendidas. Essa situação independe da experiência do médium, quando nos damos conta já estamos envolvidos por esses campos. O que muda de pessoa para pessoa é a rapidez que se dá conta do que está acontecendo e como administra essa situação.

Outra situação semelhante é o período em que um médium pode ficar com a impressão energética de um ou vários atendimentos que realizou numa sessão. Tempo esse que também pode variar de minutos a dias, isso ocorre por diversos motivos, entre eles:

· Excitação dos receptores sensoriais dos tecidos que entraram em sintonia com as energias dos atendidos. As energias envolvem os médiuns de maneira a seguirem um fluxo de estímulos que normalmente vai dos corpos espirituais para o corpo físico, ou seja, sentimos sim no corpo físico o que ocorre com um atendido. Isso pode se dar de maneira muito intensa permanecendo uma impressão contínua das sensações, mesmo o consulente já ter sido atendido e se encontrar muito longe da casa;

· Transferência intencional por parte das entidades de campos ou espíritos sofredores para junto do médium, para que posteriormente possam ser transmutadas as energias e/ou encaminhados os necessitados em trabalhos complementares.

Esses são apenas alguns exemplos de situações e fenômenos que irão acontecer com médiuns em trabalho, mas existem outras situações não mediúnicas que gostaríamos de comentar e são tão ou mais importantes que as expostas anteriormente, que têm haver com a disciplina, determinação e comprometimento que um médium deve ter. Esses requisitos colocam sobre os médiuns uma carga de responsabilidade muito grande, pois no momento que se comprometem com uma casa estão se comprometendo com a sua realidade espiritual (que envolve seu karma e suas entidades) e a realidade espiritual de uma comunidade (relacionada com o karma coletivo e as entidades que respondem por esse universo de encarnados e desencarnados). O médium precisa ter constância e ritmo em seu trabalho, pois invariavelmente ocorrerão oscilações, dúvidas e vacilos, e quanto mais integrado estiver com seus deveres mais resistência a essas situações terá.

Amigos, não façam da mediunidade e do trabalho mediúnico um “hobby”, se tiverem que se desenvolver façam com consciência e não por impulso emocional, pois para encarar situações como as citadas acima é preciso ter cobertura espiritual, disciplina, dedicação e amor, por si e pelos que irá atender.

O que acontece com quem já trabalhou mediunicamente e por um motivo ou outro parou?

No momento em que houve um comprometimento com o trabalho mediúnico os corpos do médium passam por sucessivas modificações de maneira a permitir a melhor manifestação das entidades. Quando o trabalho é interrompido é como se os corpos estivessem sem um órgão, ou seja, alguma função fisiológica ficará comprometida e normalmente resultará em acumulo excessivo de energia ou descarga energética em demasia.

Mais uma vez ressaltamos a importância de um médium assumir o trabalho espiritual com responsabilidade, pois uma vez inserido nele não será por qualquer motivo pessoal que poderá se afastar sem gerar desequilíbrios internos. Cabe aqui lembrar e salientar que esses desequilíbrios não são uma punição ou vingança das entidades, mas sim uma conseqüência natural (e fisiológica) de nossos atos e escolhas.






[important]Fonte: Grupo de Umbanda Triângulo da Fraternidade[/important]