11 de out de 2011

Preconceito entre Umbandistas?

GuiasBoa tarde todos,

Há algumas semanas atrás eu assisti a um vídeo, disponibilizado no YouTube e que disponibilizo ao fim desse artigo, em que Norberto Peixoto nos fala sobre o preconceito  com o uso de tambores (atabaques) nos centros de Umbanda pelos próprios Umbandistas.

Vendo ao vídeos lembrei-me de um acontecimento que ocorreu comigo há alguns anos atrás que me fez mudar completamente meu modo de ver, sentir e praticar a Umbanda. Desde cedo quando na Umbanda fui dado a leitura de livros de "doutrina" e em especial de um autor específico, devido inclusive a influência de minha mãe de santo à época. Tanto o autor como os seus filhos de santo, que também são autores e seguem os princípios pregados por esse, nos dizem que devemos evitar o uso de tambores, palmas, guias em excesso, cocares, etc, durante os rituais de Umbanda, dizendo que esses materiais seriam desnecessários.

Li e assimilei ao pé da letra  esses ensinamentos e passeis a adotá-los, para mim, e submetê-los aos outros, como verdades incontestes.

Certo dia a mãe de Santo do terreiro que frequentava me pediu que fizesse um rápido comentário sobre um artigo de uma revista que ela havia comprado e achava bem interessante. O artigo nos trazia matéria que falava sobre os trabalhos de uma casa umbandista "famosa" em São Paulo, cujo dirigente é o filho de Santo mais conhecido do autor que mencionei anteriormente,  para homenagear o Orixá Oxossi. Rapidamente coloco-me a ler o artigo a fim de fazer a explanação a plateia de assistentes presentes naquela noite à gira e me deparo com uma série de fotos mostrando o dirigente da casa e a mesma que tinha (e ainda tem, até onde me consta) atabaques e médiuns (inclusive seu dirigente), usando cocares para simbolizar os Caboclos.

Confesso que fiquei em estado de choque com as fotos e não sabia mais o que falar aquela noite. Concentrado para a leitura do artigo tive meu pensamento invadido pelo Caboclo Sr. Campina Grande me falando que:
   - "A Umdanda é assim mesmo, aceita a todos. Lembre-se que aquele que foi enviado para instalar a Umbanda no Brasil disse a todos os presentes naquela seção espírita kardecista que não deveria haver preconceito de nenhuma forma nos trabalhos de Umbanda."

- Perguntei sem exitar: "Mas isso não é mistificação? As entidades precisam desses cocares? Os tambores não provocam reações anímicas nos médiuns que podem ser prejudiciais a eles mesmos?"

- "Sim e não!" Respondeu-me o Caboclo. "Não há certo ou errado na resposta para a sua questão. O que é necessário é fazer o bem e a caridade. Ajudar ao próximo como o Mestre nos convocou a fazer!"

Escutando à resposta simplesmente me calei e voltei a meditar. Desde então tomei a decisão de não jugar mais os trabalhos que são feitos em outras casas e por outras pessoas. Não achei mais estranho o uso de adereços, guias, atabaques, etc. Não achei esquisito se uma casa permite ou proíbe o uso de fumo, bebida, palmas, curimbas, etc, em seus trabalhos. Não julgo nem mesmo a necessidade de se usar, em alguns trabalhos, o sacrifício de animais. Jesus nos falou:
   Não julgueis para não serdes julgados!

Nossa casa tem as regras estabelecidas para a execução dos trabalhos dela, ponto. Mas não vamos impor essas regras a todos os outros terreiros espalhados por esse Brasil afora.

O certo é que se quisermos ser respeitados por outros irmãos praticantes de outros credos devemos em primeiro lugar nos respeitar.

Abraços fraternos a todos e segue o vídeo prometido!