7 de out de 2011

Fim da história da Umbanda?

Bom dia a todos,

Recebi  de uma amigo, por email, esse artigo relatando a destruição de um símbolo do início da história da nossa Umbanda, o primeiro imóvel que abrigou a Tenda Nossa Senhora da Piedade. Aqueles que conhecem um pouco sobre a história do início da Umbanda, especialmente a história de Zélio de Morais e o advento do Caboclo das Sete Encruzilhadas intendem a importância histórica e cultural do local.

Infelizmente o que nos restará será a história contada e seus parcos  registros históricos. O certo é que não teremos mais esse local histórico.

Nós brasileiros não costumamos dar valor para a história e cultura. Para comprovar basta olhar o estado de conservação dos nossos monumentos históricos, a quantidade de museus que temos em nossas cidades e o estímulo que é dado a nossas crianças à cultura.

Não nos esqueçamos caros irmãos que para sermos respeitados temos que adquirir respeito perante a sociedade e não será deixando destruir a nossa história que conseguiremos ser vitoriosos.

Mais uma vez, boa leitura a todos e meditemos sobre quão importante é preservarmos a história da Umbanda.

Abraços.

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BERÇO DA UMBANDA É DESTRUÍDO EM SÃO GONÇALO


Publicado por Ronaldo Pereira Carmo em 5 outubro 2011 às 9:06 em Fórum Online


[caption id="attachment_190" align="aligncenter" width="640" caption="Tenda Nossa Senhora da Piedade"]Tenda Nossa Senhora da Piedade[/caption]

A estrutura metálica já está pronta para receber o telhado do novo galpão que vai ocupar o número 30 da Rua Floriano Peixoto, em Neves, São Gonçalo. Dentro do terreno, uma casinha centenária aguarda a demolição marcada, segundo o proprietário, ainda para esta semana. Poderia ser uma simples obra, não fosse um detalhe: a casa rosa, com a pintura já castigada pelos anos, é a última testemunha do nascimento da umbanda.

Foi no imóvel — que ocupava o centro de uma chácara, no início do século 20 —, que Zélio Fernandino de Moraes, então com 17 anos, dirigiu a primeira sessão da religião. Era 16 de novembro de 1908. A umbanda é a única manifestação religiosa 100% brasileira.

— A demolição nos deixa muito decepcionados, pois perdemos uma referência da chegada da mensagem do Caboclo das Sete Encruzilhadas — diz Pedro Miranda, presidente da União Espiritista de Umbanda do Brasil, em referência à entidade que orientou Zélio a fundar a religião.

Espíritos tristes


A notícia também surpreendeu a mãe de santo Lucília Guimarães, do terreiro do Pai Maneco, em Curitiba, Paraná. Na década de 1990, ela veio ao Rio para pesquisar as origens da religião.

— Imagino que até os espíritos estejam tristes. É uma pena. lamenta ela.

Há mais de cem anos com a família de Zélio, o imóvel onde surgiu a umbanda foi vendido recentemente para o militar Wanderley da Silva, de 65 anos, que pretende transformar o local em um depósito e uma loja.

— Eu nunca soube que a casa tinha essa história. Mas agora já comprei, investi, não posso deixar de demolir — explica-se.

Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), nunca houve um pedido de tombamento do imóvel. A antiga casa de Zélio também não é protegida pelo governo estadual ou pela Prefeitura de São Gonçalo.

De acordo com a última avaliação do IBGE, feita no Censo 2000, o Brasil tem quase 400 mil umbandistas. A religião está em todos os estados do país e também no Uruguai, Paraguai, Argentina, Portugal, Espanha e Japão.

[caption id="attachment_191" align="aligncenter" width="640" caption="Tenda Nossa Senhora da Piedade"]Tenda Nossa Senhora da Piedade[/caption]

Tudo acabou


O terreiro de Zélio de Moraes — que recebeu o nome de Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade — funcionou por pouco anos em São Gonçalo. Os primeiros umbandistas mudaram-se logo para o Rio de Janeiro.

Primeiro, o centro funcionou na Rua Borja Castro, na Praça Quinze. A rua foi extinta, na década de 1950, para a construção da Perimetral. Dali foram para a Avenida Presidente Vargas. O imóvel também foi demolido, dessa vez para dar lugar ao Terminal Rodoviário da Central do Brasil.

Uma nova mudança e mais uma demolição. A casa 59 da Rua Dom Gerardo, em frente ao mosteiro de São Bento, virou um estacionamento.

— Tudo acabou, eram prédios muito antigos. Lamento que o último registro também vá desaparecer. Mas o mais importante é que os ensinamentos do meu avô se perpetuem; pediu a neta de Zélio, Lygia Cunha, que hoje preside a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade. O terreiro agora funciona em uma sede própria, em Cachoeiras de Macacu, no interior do estado.

Capela de São Pedro


Antes de ser vendida, a casa onde nasceu a Umbanda abrigou uma capela católica. A última moradora do imóvel, uma descendente de Zélio que é muito católica, cedeu o espaço para os devotos. Quem administra a igrejinha — que também mudou de endereço — é dona Geraldina dos Santos, de 74 anos.

— Não tenho preconceito, não. Todos somos filhos de Deus. Se a religião nasceu lá, a casa devia ser preservada. É importante — disse.
Esta é uma estória sobre quatro pessoas:

TODOMUNDO - ALGUÉM - QUALQUER UM E NINGUÉM.

Havia um importante trabalho a ser feito, e TODOMUNDO, tinha certeza que ALGUÉM faria.

QUALQUER UM podia tê-lo feito, mas NINGUÉM o fez .

ALGUÉM zangou-se porque era trabalho de TODOMUNDO.

TODOMUNDO pensou que QUALQUER UM poderia fazê-lo, mas NINGUÉM imaginou que TODOMUNDO deixasse de fazê-lo...

Ao final, TODOMUNDO culpou ALGUÉM quando NINGUÉM faz o que QUALQUER UM poderia ter feito.

Não é necessário dizer mais nada.